"Aqui, um território vazio, espaços, um pouco mais que nada. Ou muito, não se sabe. Mas não há ninguém, é certo. Uma cobra, talvez, insinuando-se pelas pedras e pela pouca vegetação. Mas o que é uma cobra quando não há nenhum homem por perto?"
(Sérgio Sant´Anna, Conto (Não Conto), 1)
Esse conto de Sérgio Sant´Anna é interessante pelo fato de que é tão abstrato. Realmente, não temos um contexto para seguir ou ambiente para se encaixar. A citação de cima apresenta algumas filosofias ou perspectivas diferentes do normal. Uma coisa que eu reparei dessa citação era o tema que as coisas como são dependem do ambiente. Isso é o ponto feito pela frase ^O que é uma cobra quando não há nenhum homem por perto?^. O pre-conceito normal de uma obra cobra é negativo, pelo menos de meu ponto de vista. Quando eu penso sobre cobras, minha primeira reação é de correr...ou se eu estivesse sentindo corajoso no momento, achar alguma coisa com o qual eu poderia matá-la. De qualquer jeito, minha primeira reação não é de pegá-la e levá-la para casa. Aqui, Sant´Anna nos mostra um posibilidade que pre-conceitos não existem. Ou seja, a cobra em si não é a mesma coisa se lá não houver os pre-conceitos que estariam lá num ambiente com alguém presente. Ainda mais, vemos o estudo de ambiente quando lemos a frase ^Ou muito. Não se sabe.^ O tema aqui é também que tudo é relativo.
É também interessante notar a posível comparação que Sant´Anna está fazendo com a imagem do serpente num território vazio. Essa scena faz lembra a scena da criação do mundo. Nesse caso, a comparação seria que a vida é relativa. Ou seja, não existe nada verdadeiro. Tudo é um invenção da mente, um conto que criamos com papel e tinta e espaço branco. Tudo é relativo. Não conheco a religiosidade do autor, e não sei se ele é atéu mas eu tinha que reparar o posível comparação de um mundo no qual definamos as coisas de acordo com nossas próprias pre-conceitos. Eu pessoalmente, acredito que essa vida tem significado mas era interssante ver outros posíveis opiniões.
Thursday, January 27, 2011
Thursday, January 20, 2011
21 Janeiro 2011 "Crime ou luta?"
"Crime ou luta? Realmente, foi uma luta, em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa... Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa idéia. E balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as injúrias... Mas eu perdoava tudo, tudo... ... E quem sabe mesmo se a luta e a morte não foram apenas coincidentes? Podia ser, era até o mais provável; não foi outra coisa. Fixei-me também nessa idéia..."
(Machado de Assis, O Enfermeiro, 5).
O Enfermeiro é um conto que realmente apela as características humanas. Nessa citação, entramos um pouco na mente de Procópio, o protagonista e também o narrador do conto. Procópio era um homem, sem muito valor para a sociedade. Aprendemos que ele não tinha nome de gente, que não tinha profissão notável, e não tinha reconhecimento. No ocorrimento da história, ele torna-se enfermeiro de um coronel velho. Depois de uma briga, Procópio acaba matando o coronel e resolve esconder esse segredo para o resto de sua vida. Também ironicamente, além de ter viver sob aquele remorso de ter matado o coronel, Procópio fica sabendo que ele era o benficiário da herança do coronel. Procópio, podemos dizer, sofreu para o resto de sua vida com o pesadelo de ter assassinado o coronel e entrou no vício de auto-defesa e justificação. A guerra que acontecia na mente dele era constante. Ele tinha que convencer si mesmo que a morte do coronel era inevitável e que Procópio não foi "o vilão". Ainda que a causa da morte do coronel era um segredo, por alguma razão (provavelmente porque a culpa que vinha de ter recebido a herança) Procópio tinha que provar para si mesmo que ele não estava errado em matar o coronel.
Será que foi o fato de que Procópio era o único beneficiário da herança ou a lembrança de realmente ter matado o coronel a principal causa por essa culpa? Talvez isso pode ser debatido e discutido. Eu acho, em particular, que a culpa iria existir na mente de Procópio de qualquer jeito, porém o fato de que ele foi o beneficiário único da herança do coronel fez com que essa culpa se tornasse num tormento eterno para ele.
De qualquer jeito, é importante notar que Machado de Assis tinha um propósito de ter incluído um protagonista assim para analisar o psicologia do ser humano. A característica que Machado de Assis estava criticando era o desejo carnal de se justificar ou culpar os outros pelos atos más que fazemos. Quando fazemos alguma coisa que não deveríamos ter feito, a reação natural é de não assumir a culpa. O ser humano não quer, de natureza, assumir a culpa. E quaisquer as justificações que Procópio podia imaginar (a morte do coronel era inevitável, foi um acidente, ele estava se defendendo), o fato foi que Procópio o matou. Ele não queria assumir a culpa. Ou seja, a lição deste citação é que não adianta correr das consequências que vem por causa de nossas ações. Correr das consquências não desejáveis é uma corrida que não tem fim.
(Machado de Assis, O Enfermeiro, 5).
O Enfermeiro é um conto que realmente apela as características humanas. Nessa citação, entramos um pouco na mente de Procópio, o protagonista e também o narrador do conto. Procópio era um homem, sem muito valor para a sociedade. Aprendemos que ele não tinha nome de gente, que não tinha profissão notável, e não tinha reconhecimento. No ocorrimento da história, ele torna-se enfermeiro de um coronel velho. Depois de uma briga, Procópio acaba matando o coronel e resolve esconder esse segredo para o resto de sua vida. Também ironicamente, além de ter viver sob aquele remorso de ter matado o coronel, Procópio fica sabendo que ele era o benficiário da herança do coronel. Procópio, podemos dizer, sofreu para o resto de sua vida com o pesadelo de ter assassinado o coronel e entrou no vício de auto-defesa e justificação. A guerra que acontecia na mente dele era constante. Ele tinha que convencer si mesmo que a morte do coronel era inevitável e que Procópio não foi "o vilão". Ainda que a causa da morte do coronel era um segredo, por alguma razão (provavelmente porque a culpa que vinha de ter recebido a herança) Procópio tinha que provar para si mesmo que ele não estava errado em matar o coronel.
Será que foi o fato de que Procópio era o único beneficiário da herança ou a lembrança de realmente ter matado o coronel a principal causa por essa culpa? Talvez isso pode ser debatido e discutido. Eu acho, em particular, que a culpa iria existir na mente de Procópio de qualquer jeito, porém o fato de que ele foi o beneficiário único da herança do coronel fez com que essa culpa se tornasse num tormento eterno para ele.
De qualquer jeito, é importante notar que Machado de Assis tinha um propósito de ter incluído um protagonista assim para analisar o psicologia do ser humano. A característica que Machado de Assis estava criticando era o desejo carnal de se justificar ou culpar os outros pelos atos más que fazemos. Quando fazemos alguma coisa que não deveríamos ter feito, a reação natural é de não assumir a culpa. O ser humano não quer, de natureza, assumir a culpa. E quaisquer as justificações que Procópio podia imaginar (a morte do coronel era inevitável, foi um acidente, ele estava se defendendo), o fato foi que Procópio o matou. Ele não queria assumir a culpa. Ou seja, a lição deste citação é que não adianta correr das consequências que vem por causa de nossas ações. Correr das consquências não desejáveis é uma corrida que não tem fim.
Thursday, January 13, 2011
13 Janeiro 2011 "De que me adiantava?"
"De que me adiantava casar com uma bailarina?", era isso o que ele respondia. Ninguém diria, mas Armando podia ser às vezes muito malicioso, ninguém diria. De vez em quando eles diziam a mesma coisa. Ela explicava que era por causa de insuficiência ovariana. Então ele falava assim: "De que é que me adiantava ser casado com uma bailarina?" Às vezes ele era muito sem-vergonha, ninguém diria.
(Clarice Lispector, "Imitação da Rosa", 55).
Esse conto trata-se de alguns temas importantes porém o mais marcante para mim foi essa questão do papel da mulher na sociedade brasileira da época. Essa citação deixa bem claro qual foi a posição da mulher na sociedade. Aqui é um diálogo que fala sobre a mentalidade que Armando tinha para com a Laura, a protagonista do conto. Ele - Armando - pergunta para alguém ou para si mesmo, qual foi o propósito que não conseguia tudo que queria por causa da ´insuficiência ovariana´ dela. Ou seja, ela só existia para serví-lo, e para o Armando, se ela não pudesse satisfazer esses requisitos, ela não prestava. Ela serviu um só propósito - providenciar felicidade para o homem.
Esse conto é um exemplo claro que, aos olhos dos homens da sociedade, a mulher só existia para servir. Elas não deveriam ter uma vida para si mesmo. Não deveriam gostar de algo. O papel da mulher, como foi mostrado no conto, foi de passar roupa, limpar a casa, e ser visto como um objeto. Portanto, o simbolismo neste conto é muito lúcido. As rosas provocaram uma grande debate na mente de Laura. Eram tão bonitas, e ela gostava tanto delas, porém ela lutou com si mesmo se eram para guardar para si. Na mente dela, ela não deveria ter algo para desfrutar por si mesmo. Ela existia só para agradar a Armando. Ela não tinha nada. Ela não era nada mas um imitação da rosa - um objeto bela para ser visto mas sem outro propósito.
(Clarice Lispector, "Imitação da Rosa", 55).
Esse conto trata-se de alguns temas importantes porém o mais marcante para mim foi essa questão do papel da mulher na sociedade brasileira da época. Essa citação deixa bem claro qual foi a posição da mulher na sociedade. Aqui é um diálogo que fala sobre a mentalidade que Armando tinha para com a Laura, a protagonista do conto. Ele - Armando - pergunta para alguém ou para si mesmo, qual foi o propósito que não conseguia tudo que queria por causa da ´insuficiência ovariana´ dela. Ou seja, ela só existia para serví-lo, e para o Armando, se ela não pudesse satisfazer esses requisitos, ela não prestava. Ela serviu um só propósito - providenciar felicidade para o homem.
Esse conto é um exemplo claro que, aos olhos dos homens da sociedade, a mulher só existia para servir. Elas não deveriam ter uma vida para si mesmo. Não deveriam gostar de algo. O papel da mulher, como foi mostrado no conto, foi de passar roupa, limpar a casa, e ser visto como um objeto. Portanto, o simbolismo neste conto é muito lúcido. As rosas provocaram uma grande debate na mente de Laura. Eram tão bonitas, e ela gostava tanto delas, porém ela lutou com si mesmo se eram para guardar para si. Na mente dela, ela não deveria ter algo para desfrutar por si mesmo. Ela existia só para agradar a Armando. Ela não tinha nada. Ela não era nada mas um imitação da rosa - um objeto bela para ser visto mas sem outro propósito.
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