Thursday, January 20, 2011

21 Janeiro 2011 "Crime ou luta?"

"Crime ou luta? Realmente, foi uma luta, em que eu, atacado, defendi-me, e na defesa... Foi uma luta desgraçada, uma fatalidade. Fixei-me nessa idéia. E balanceava os agravos, punha no ativo as pancadas, as injúrias... Mas eu perdoava tudo, tudo... ... E quem sabe mesmo se a luta e a morte não foram apenas coincidentes? Podia ser, era até o mais provável; não foi outra coisa. Fixei-me também nessa idéia..."
 (Machado de Assis, O Enfermeiro, 5).


          O Enfermeiro é um conto que realmente apela as características humanas. Nessa citação, entramos um pouco na mente de Procópio, o protagonista e também o narrador do conto. Procópio era um homem, sem muito valor para a sociedade. Aprendemos que ele não tinha nome de gente, que não tinha profissão notável, e não tinha reconhecimento. No ocorrimento da história, ele torna-se enfermeiro de um coronel velho. Depois de uma briga, Procópio acaba matando o coronel e resolve esconder esse segredo para o resto de sua vida. Também ironicamente, além de ter viver sob aquele remorso de ter matado o coronel, Procópio fica sabendo que ele era o benficiário da herança do coronel. Procópio, podemos dizer, sofreu para o resto de sua vida com o pesadelo de ter assassinado o coronel e entrou no vício de auto-defesa e justificação. A guerra que acontecia na mente dele era constante. Ele tinha que convencer si mesmo que a morte do coronel era inevitável e que Procópio não foi "o vilão". Ainda que a causa da morte do coronel era um segredo, por alguma razão (provavelmente porque a culpa que vinha de ter recebido a herança) Procópio tinha que provar para si mesmo que ele não estava errado em matar o coronel.
          Será que foi o fato de que Procópio era o único beneficiário da herança ou a lembrança de realmente ter matado o coronel a principal causa por essa culpa? Talvez isso pode ser debatido e discutido. Eu acho, em particular, que a culpa iria existir na mente de Procópio de qualquer jeito, porém o fato de que ele foi o beneficiário único da herança do coronel fez com que essa culpa se tornasse num tormento eterno para ele.
          De qualquer jeito, é importante notar que Machado de Assis tinha um propósito de ter incluído um protagonista assim para analisar o psicologia do ser humano. A característica que Machado de Assis estava criticando era o desejo carnal de se justificar ou culpar os outros pelos atos más que fazemos. Quando fazemos alguma coisa que não deveríamos ter feito, a reação natural é de não assumir a culpa. O ser humano não quer, de natureza, assumir a culpa. E quaisquer as justificações que Procópio podia imaginar (a morte do coronel era inevitável, foi um acidente, ele estava se defendendo), o fato foi que Procópio o matou. Ele não queria assumir a culpa. Ou seja, a lição deste citação é que não adianta correr das consequências que vem por causa de nossas ações. Correr das consquências não desejáveis é uma corrida que não tem fim.

4 comments:

  1. É interessante considerar o facto que a culpa só veio por causa da herança. Como disseste, o texto não nos lida para tal conclusão com a culpa que ja se sentiu antes de receber as notícias, mas ainda dá mais uma perspective no ser humano.

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  3. Eu achei isso bem interesante também que no conto Procópio ficou o herdeiro da herança. Isso realemente seria difícil para esquecer na vida. Fez ele tomar uma decisão mesmo de tomar a culpa por suas ações ou se justificar. Achei interesante que ele não se culpou. Realmente Machado de Assis estave querendo mostrar que o humano nesta situação quer se defender e se justificar até o fim.

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  4. Achei certo o seu comentário a respeito do Procópio. Depois da morte do Colonel ele ficou loco. Ele passou a vida enteira tentando a se justificar por suas ações. Em cima de tudo ele ficou sabendo que receria tudo do Colonel. Isso só finalizou a sua sentença. Por que por sua vida enteira, ele teria a herança que ele não merecia.

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